[
continuação...]
Aquela fodia-se num instante, esta fodia-se de uma vez. Era uma espécie de música de embalar que me atravessava o espírito enquanto observava a Rosa e a Marlene atrás do balcão. Talvez fizesse parte das contraindicações do cocktail de analgésicos e anti-inflamatórios que andava a tomar.
Aquela mais bonitinha, esta mais perfeitinha, juntas seriam a foda do século. Exagero de linguagem... A queca do dia, quiçá. Quando aquela saiu por uns instantes, aproveitei para me meter com esta:
- Estou a ver que tens adversária nova.
- Nem imagina, é um ver se te avias.
- Como assim?
- Faz-se a tudo o que mexe.
- Ciúmes?
- Não, que eu escolho os meus homens. Já lá vai o tempo em que comia qualquer coisinha.
- Já vi que não tenho hipóteses.
- Isso agora...
Pensava eu que a Marlene andava a passear a esfregona pelo café. Puro engano. A rapariga, que tem sangue na guelra e malandra escrito na testa, dá-me uma palmada na nádega mais à mão.
- Élá... Conheces a expressão "a carneiro capado não apalpes o rabo"?
- Não.
- Olha que a minha mulher pode não gostar...
- Mas eu não estou interessada na sua mulher!
Foi nesse momento, quando ela me piscou o olho, que percebi que o meu pau continua vivo.
O safado levantou a grimpa em protesto, cresceu despudoradamente, a exigir que o enterrem vivo. Já!
Sentem-se enganados pelo título? Estavam à espera de mais? Queriam uma rapidinha acrobática sobre o balcão? Uma mamada de seca-colhões? Ou uma martelada tão selvagem que a deixasse com a pachacha a latejar?
Foi o que se chama uma "foda à Monção", que é o nome que se dá a um prato de borrego com arroz pingado. Eu conto-vos a história numa penada... Na altura da Páscoa, os produtores de gado do Minho engordavam os animais, para vendê-los ao melhor preço, com uma artimanha. Punham sal na forragem, o que os obrigava a beber muita água. Quando os cordeiros chegavam à feira, pareciam pesados, mas eram, de facto, um saco cheio de nada. Apenas água. Ao aperceberem-se da fraude, os compradores exclamavam: "Que foda!"